quinta-feira, dezembro 04, 2008

Alto Ázere - Paraiso Esquecido

No passado Sábado (29 Novembro 2008) estivemos pelo alto minho. O Inverno abre-nos o livro daquele que foi o dia mais frio que passei num rio. Por vezes a Sibéria está ao lado de casa.

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A aposta de fim de semana era a Cantábria. Apesar de toda a Península Ibérica estar a ferro e fogo com a neve, por cá pouca água, e em Espanha o caudal era garantido. Rumar a Espanha.
Os membros do norte - Rabiço e Maia - ficaram pela serra do Alvão, impedidos de seguir caminho. Em Portugal, estradas nevadas, estradas cortadas. Atravessar a Meseta Ibérica de noite e debaixo de neve ia ser um filme!! Mudança de planos: “Amanhã, o pessoal do 18 e Cia vai martelar o Azere, com mais um bando de gandulos de Alvarenga” alguém adiantou. Destino: Arcos de Valdevez. Para quem queria fugir da neve a manhã não deixou de ser uma surpresa …


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Um acordar "bonito" depois de um dormir "violento"

Apareceram os “berdadeiros presidentes” – Vilela, Chapi e Luis – juntamente com Rafa, Perrinho, Mário, Zé Carteiro, Ricardo Mondim e Joaquim. Quatorze indíos no meio de um rio gelado, estreito, vertical e com um mijo de àgua ... Filmes ... Missão: Vilela de Lajes - Ponte de Grade.

Apesar de caudal escasso, é um rio impressionante, belo e divertido. Dos melhores que existem em Portugal. Tem de tudo, saltos, tobogans, passagens técnicas e portagens que nos fazem esquecer tudo e mais alguma coisa, e o desnível não nos permite pensar no frio, nem na crise nem no preço dos combustíveis.

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Inverno num dos imensos tobogans do Alto Azere

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Rafa com cara de "esgrúbio" num dos pequenos saltos

O rio cai 350 metros em 3800 metros de comprimento. Tirando a maior e mais técnica portagem, o percurso não tem quedas superiores a 6 metros. Em termos de classificação este rio varia entre o Classe IV com quintos (com a àgua que fizemos, 1 metro cúbico), e o classe V puro (3 a 4 metros cúbicos)

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A Grande Portagem (faz-se pela direita com cordas)

Para além do prazer das águas bravas, este local merece uma visita pedonal. Carvalhos, castanheiros e urzes, que contrastam com os penedos e lajes de granito. Ficamos com uma percepção de que o vale dificilmente se atinge fora da linha de água.

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Rabiço escorregando na pedra

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Emanuel na ultima passagem técnica (Kamikaze), com o "Bando de Gandulos" na audiência.

Cinco horas e meia dentro de água, e apanhados pela noite, optamos por sair antes da ponte de Grade por um caminho acessório. Campos e casas, são o primeiro sinal de mão humana, na margem direita. Lá bem no alto, e depois de 10 minutos pelo meio de vinhas, vive o Sr. Gomes que tem por missão aquecer as almas de quem por ali aparece, com um bom verde tinto.


Evitando a àgua gelada, passamos o resto do fim de semana a aproveitar a neve. Fizemos o cume do Alvão e sonhamos com os Andes que nos esperam em Janeiro.

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Emanuel, um rapaz do sul de Portugal não cabia em si de contente quando viu neve pela primeira vez. Pffft, putos do sul ... baaaa ...

Texto : Ricardo Inverno (Podes ler aqui ao pormenor, toda a cena !!)
Fotos : Rafael Cecílio e Emanuel Jordão

1 comentário:

sergio disse...

Este e o ultimo remanço na Net :)antes de molhar o cabedal num rio Estou de saida para a Galiza.(Texugos) . Boas remadas


Sérgio Domingues